domingo, 14 de abril de 2013

All about a girl who can't stay

É preciso encontrar um motivo para ficar. Mimimi viver é preciso, navegar não é. Algo assim.

Sabendo que o motivo não estaria ali, evitava olhar as castanheiras cheias de poeira, as paredes brancas e suas pequenas rachaduras espiãs. Nestas eternas terças-feiras vazias, olhar não adiantava nada.

Pequenos bolos de poeira e pelo de gato se acumulando num canto morto. Uma caixa, um nicho, uma estante, um instante. Nada além de nada.

Como uma vidente cega e surda ao futuro, incerta até mesmo de seu próprio presente, tateava o relógio procurando o tempo. Andava, o ponteiro. Dava um passo, parava, outro passo, parava. Como se dissesse "Não me alcança, não me alcança" a cada passada.

Olhava nos dedos, olhava no espelho, nada.

Olhava um rosto amado e só via ali uma ponta de saudades adiantadas, saudades doídas e ainda etéreas, antecipadas.

Em cada dobra de esquina, página virada de livro, olhar demorado... tudo só dizia "Aqui não há de haver mais é nada."

Aqui não posso ser, nem mesmo estar.




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~ Dá o play ~